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#2912298
Texto da Questão:

Leia atentamente o poema Vou-me Embora pra Pasárgada, de Manuel Bandeira, escritor brasileiro, para responder à questão.


Vou-me embora pra Pasárgada

Lá sou amigo do rei

Lá tenho a mulher que eu quero

Na cama que escolherei 


Vou-me embora pra Pasárgada

Vou-me embora pra Pasárgada

Aqui eu não sou feliz

Lá a existência é uma aventura

De tal modo inconsequente

Que Joana a Louca de Espanha

Rainha e falsa demente

Vem a ser contraparente

Da nora que nunca tive 


E como farei ginástica

Andarei de bicicleta

Montarei em burro brabo Subirei

no pau-de-sebo Tomarei

banhos de mar!

E quando estiver cansado

Deito na beira do rio

Mando chamar a mãe-d’água

Pra me contar as histórias

Que no tempo de eu menino

Rosa vinha me contar


Vou-me embora pra Pasárgada

Em Pasárgada tem tudo

É outra civilização

Tem um processo seguro

De impedir a concepção

Tem telefone automático

Tem alcaloide à vontade

Tem prostitutas bonitas

Para a gente namorar 


E quando eu estiver mais triste 

Mas triste de não ter jeito

Quando de noite me der

Vontade de me matar

— Lá sou amigo do rei —

Terei a mulher que eu quero 40Na

cama que escolherei Vou-me

embora pra Pasárgada. 


BANDEIRA, M. Poesia Completa e Prosa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1986. 

Assinale a alternativa correta:

  • Segundo o poema, ser amigo do rei não traz nenhuma vantagem ao eulírico.
  • Não existe no poema uma oposição entre satisfação e insatisfação
  • A última estrofe intensifica o caráter libertador e salvador da cidade imaginada pelo eu-lírico.
  • Não existe no poema uma oposição entre tempo presente e tempo futuro.
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