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#2518149
Texto da Questão:

Leia atentamente o poema Poemas aos homens do nosso tempo - XVI, de Hilda Hilst, escritora brasileira, para responder a questão.

Poemas aos homens de nosso tempo - XVI

Enquanto faço o verso, tu decerto vives.
Trabalhas tua riqueza, e eu trabalho o
sangue.
Dirás que sangue é o não teres teu ouro
E o poeta te diz: compra o teu tempo

Contempla o teu viver que corre, escuta
O teu ouro de dentro. É outro o amarelo
que te falo.
Enquanto faço o verso, tu que não me lês
Sorris, se do meu verso ardente alguém
te fala.
O ser poeta te sabe a ornamento,
desconversas:
“Meu precioso tempo não pode ser
perdido com os poetas”. Irmão do
meu momento: quando eu morrer
Uma coisa infinita também morre. É difícil
dizê-lo:
MORRE O AMOR DE UM POETA.
E isso é tanto, que o teu ouro não
compra,
E tão raro, que o mínimo pedaço, de tão
vasto

Não cabe no meu canto. 

O poema inteiro trata do eu lírico em primeira pessoa, exceto no verso: “E o poeta te diz: compra o teu tempo”. A autora utilizou-se desse artifício para:

  • Distanciar-se do conflito.
  • Deixar clara que a contraposição existe entre o indivíduo materialista e o poeta, enquanto categoria, e não entre o materialista e o eu lírico, simplesmente.
  • Eximir-se da culpa de não sensibilizar as pessoas materialistas.
  • Inserir-se no grupo dos indivíduos materialistas.
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