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#2503880
Texto da Questão:

TEXTO 02 

Congresso Internacional do Medo

Provisoriamente não cantaremos o amor,
que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos.
Cantaremos o medo, que esteriliza os abraços,
não cantaremos o ódio, porque este não existe,
existe apenas o medo, nosso pai e nosso
companheiro,
o medo grande dos sertões, dos mares, dos
desertos, o medo dos soldados, o medo das mães, o medo
das igrejas, cantaremos o medo dos ditadores, o medo dos
democratas, cantaremos o medo da morte e o medo de depois
da morte. Depois morreremos de medo
e sobre nossos túmulos nascerão flores amarelas
e medrosas.

(Carlos Drummond de Andrade).

De acordo com o poema acima, pode-se inferir que:

  • O sentimento de medo é vencido pelo amor e pelos abraços, que esterilizam o pavor vivido pelos soldados, pelas mães e pelos democratas.
  • A repetição da palavra “medo”, ao longo do poema, sugere que tal fenômeno atinge a todos, e, para suportá-lo, as pessoas refugiam-se nas igrejas, conscientes da finitude humana (“morreremos de medo”).
  • O sentimento de medo, embora acompanhe o humano em diversos ambientes (“sertões”, “mares” e “desertos”), é encerrado com a morte, tendo as “flores” e os “túmulos” como síntese desse processo.
  • O medo é apresentando, não só como um sentimento pessoal e íntimo, mas algo que atinge a todos, como bem sugere o título, especialmente pelo uso do termo “Congresso”.
  • O autor deixa clara a sua simpatia ao sentimento de medo, ao falar que “cantaremos o medo”, em uma espécie de saudação nesse “congresso” em que o medo é o tema central.
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