Imagine um mundo em que você seria remunerado para navegar
no seu feed do Instagram ou fazer uma pesquisa no Google.
Parece delírio, não? Mas existe fundamento para esta visão – e
ela poderia ser a chave para criar a polêmica renda básica universal.
O conceito se chama “individual data ownership”, ou privacidade
individual de dados e eu o conheci no TEDWomen de 2019,
realizado na Califórnia. O evento é uma mostra de todo o talento
e criatividade das mulheres.
Em sua palestra, a especialista em inteligência artificial Jennifer
Zhu Scott trouxe a importância dos dados que produzimos
diariamente.
Ao desbloquear o seu smartphone, você já começa a produzir
dados. As músicas que você escuta, as séries que assiste, os
passos que dá, os lugares que frequenta… tudo vira bits para a
coleção das informações que gigantes da tecnologia têm sobre
nós.
Duvida? Então veja todas as informações que o Google tem
sobre você. Existe uma função que nos permite ver todos os
dados que a gigante dos buscadores tem armazenadas sobre
cada um de nós.
Esses dados valem bilhões – que o diga o Facebook, por
exemplo, que faturou US$ 17 bilhões no terceiro trimestre de
2019. A rede social utiliza as informações que postamos para
vender anúncios personalizados.
Mas apesar de produzirmos estes dados todos, não somos
remunerados por eles. E existe um movimento que deseja rever
isto.
Scott, que também é investidora em startups, criou um
movimento para que nós sejamos recompensados pelos dados
que geramos diariamente. “Trata-se de um novo modelo
econômico, que empodera não apenas as empresas, mas
também os indivíduos”, disse ela no palco do TEDWomen.
Já existem iniciativas deste gênero em funcionamento. A
Delphia, uma fintech canadense, permite que pessoas invistam
na bolsa de valores usando apenas os seus dados como
“dinheiro”.
Os usuários conectam as suas informações pessoais ao sistema
e respondem a questionários diários sobre seu comportamento
para a empresa analisar – em troca, recebem comissões e
podem usar estes recursos para investir em ações.
Na China, milhões de empreendedores oferecem suas
informações pessoais para conseguir acesso a uma linha de
microcrédito como a Dumiao.
Existem apps que permitem a doação de dados para ajudar
pesquisas médicas e científicas. Outros para remunerar usuários
que assistem a anúncios com o acesso a paywalls de portais de
notícias. Nos EUA, já existem marketplaces que garantem a
venda segura dos dados individuais, como o Wibson.
Então surge a pergunta inevitável: quanto valem as nossas
informações pessoais?
Muita gente pode se sentir desconfortável com a noção de
vender seus dados. No entanto, damos essas informações de
graça para empresas bilionárias.
Zhu Scott estima que cada um de nós produz algo entre US$ 1
mil e US$ 2 mil anualmente em dados e informações pessoais –
e, se fôssemos remunerados, poderíamos resolver a questão da
renda básica universal.
Essa ideia polêmica vem sendo implementada e discutida em
diversos países europeus, ainda sem consenso. A privacidade
individual de dados poderia ser a resposta.
Depois de assistir à fala de Zhu Scott, ficou claro como boa parte
do debate global sobre privacidade é, no fundo, uma questão
econômica que interessa a todos que acessam a internet.
Está na hora de acompanharmos o debate e ficarmos de olho
nas soluções que devem surgir. Nosso bolso agradece.
Adaptado. Fonte: http://bit.ly/2S2fshT.
Com base no texto 'INSTAGRAM', leia as afirmativas a seguir: I. É possível subentender-se a partir do texto que o Google tem
informações armazenadas sobre seus usuários, e que essas
informações valem bilhões. Como exemplo, o texto cita o caso do
Facebook, que faturou US$ 17 bilhões no terceiro trimestre de
2019.
II. No texto, é possível identificar a ideia de que existe um
movimento para que os usuários sejam recompensados pelos
dados que geram diariamente. Trata-se de um novo modelo
econômico, que empodera não apenas as empresas, mas também
os indivíduos.
III. A autora afirma que existem apps que permitem a doação de
dados para ajudar pesquisas médicas e científicas. Outros apps
permitem remunerar usuários que assistem a anúncios com o
acesso a paywalls de portais de notícias.
Marque a alternativa CORRETA:
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