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#2734706

No Brasil, a modernidade veio deitar raízes em terreno já profundamente atravessado por ambiguidades. Eram dois os “brasis” que coexistiam no século XIX: o Brasil agrário, das casasgrandes e senzalas, onde nada parecia ameaçar a vontade senhorial, a dominação pelo privilégio e a lógica do favor; e o Brasil das cidades, de modas e imigrantes europeus, nas quais o progresso imprimia ao tempo aceleração vertiginosa. A independência fora costurada sob influência de ideias americanas e européias de diferentes colorações liberais, e a República veio aprofundar o alcance e a penetração deste ideário. Contudo, se por um lado a influência da ideologia burguesa era nítida, por outro o próprio sistema escravista bastava para desmentir um de seus pressupostos básicos, a racionalização produtiva. Havia, portanto, uma incompatibilidade claramente definida: em teoria, adotava-se a igualdade perante a lei, a liberdade trabalhista, a universalidade dos princípios; as práticas econômicas, entretanto, descortinavam outra realidade. Aqui, o sopro ideológico que animava a modernidade de nossos vizinhos ao Norte parecia ter serventia menos como motor e espelho de um sistema econômico do que para emprestar uma coloração moderna ao discurso das elites.


Neste cenário, tomou forma uma importante disputa sobre as matrizes políticas que deveriam moldar institucionalmente (e ideologicamente) a administração do Brasil e, por conseguinte, guiar-nos o desenvolvimento. Intelectuais e políticos como Paulino José Soares de Souza, o Visconde de Uruguai, Aureliano Cândido Tavares Bastos (deputado pelo Partido Liberal) e Oliveira Vianna, envolveram-se em tal debate, polarizado em torno das matrizes do:

  • Americanismo, que pregava a descentralização política, a fim de fortalecer a noção de indivíduo e as virtudes do associativismo, e a liberalização das atividades econômicas; e Iberismo, que reconhecia a centralização política como uma necessidade instrumental – o Estado defendendo a unidade territorial e os indivíduos frente ao poder dos caudilhos, a quem não interessava o acesso das massas aos direitos civis e políticos;
  • Brasilianismo, que fazia do reconhecimento da singularidade brasileira – nosso modelo de colonização agrário e escravocrata – a mola mestra do desenvolvimento econômico; e Bolivarianismo, que enfatizava a justiça social e união dos países latino-americanos contra a exploração das potências do Norte;
  • Iberismo, que reconhecia a centralização política como uma necessidade instrumental – o Estado defendendo a unidade territorial e os indivíduos frente ao poder dos caudilhos, a quem não interessava o acesso das massas aos direitos civis e políticos; e Brasilianismo, que fazia do reconhecimento da singularidade brasileira – nosso modelo de colonização agrário e escravocrata – a mola mestra do desenvolvimento econômico;
  • Americanismo, que pregava a descentralização política, a fim de fortalecer a noção de indivíduo e as virtudes do associativismo, e a liberalização das atividades econômicas; e Brasilianismo, que fazia do reconhecimento da singularidade brasileira – nosso modelo de colonização agrário e escravocrata – a mola mestra do desenvolvimento econômico;
  • Iberismo, que reconhecia a centralização política como uma necessidade instrumental – o Estado defendendo a unidade territorial e os indivíduos frente ao poder dos caudilhos, a quem não interessava o acesso das massas aos direitos civis e políticos; e Bolivarianismo, que enfatizava a justiça social e união dos países latino-americanos contra a exploração das potências do Norte.
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