Estivemos, na verdade, ao longo das últimas décadas,
participando de um processo fundamental de ruptura de
um dos principais – talvez o mais importante – pilares
de sustentação do racismo no Brasil: o silêncio. Silêncio
tão conhecido de negros, mulatos, morenos, afrodescendentes ou qualquer outra denominação atribuída à
tonalidade da pele – que sofrem ao longo das suas vidas
com as consequências do racismo. Muito da história da
luta contra o racismo no Brasil, desde o início do século
passado, tem a ver com esse esforço de romper o silêncio envergonhado, visto por alguns como um aspecto
positivo – a vergonha de ser racista – em uma sociedade
que produziu fenômeno dos mais peculiares na história
da humanidade, o do “racismo sem racistas”.
(Roque, A. Construção e desconstrução do silêncio: reflexões
sobre o racismo e o antirracismo na sociedade brasileira.
In: Paula, M. de e Heringer, R. Caminhos convergentes: estado
e sociedade na superação das desigualdades raciais no Brasil, 2009)
Segundo o autor, o racismo brasileiro caracteriza-se
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