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#2709921

Segundo Durand (2013), as tendências de hibridação cultural, em curso no Brasil e em outras partes do mundo, e as transformações das concepções a respeito da arte e da dinâmica do campo artístico ao longo do século XX, dificultam as escolhas e decisões que precisam ser tomadas pela gestão cultural da área pública. Algumas razões que contribuem para esse fato e uma possível alternativa de ação por parte da gestão cultural pública, respectivamente, são:

  • aos governos não compete a emissão de pareceres objetivos em relação às artes diante de seus enigmas estéticos; não poder haver base em hipóteses científicas que leve em consideração os fatores principais: qualidade, diversidade, preservação e disseminação de valores, garantindo o fluxo de bens e atividades culturais populares / ações governamentais que resolvessem o caso dos graus inadequados de profissionalização no campo das artes, dando aos artistas intelectuais espaço para que atuassem em comitês específicos e autônomos, minimizando assim o amadorismo no estabelecimento de padrões estéticos para avaliação
  • aos governos não compete a produção da cultura nem o decreto dos valores das obras culturais e de artes, tendo-se de respeitar a autonomia da criação e a pluralidade das culturas que coabitam no país; a ausência de metodologia científica disponível que dê suporte para as análises dos projetos culturais do ponto de vista estético / os governos usarem seu poder de chancela junto aos círculos acadêmicos e de cultura erudita, instituindo premiações as mais variadas, contribuindo assim para explicitações consistentes na ideia de qualidade no universo da estética
  • a autoridade pública não pode operar com um espaço da sociedade que é internamente subdividido em subespaços governados por lógicas diferentes, ligados às culturas eruditas e populares; o poder da indústria cultural impede que justificativas plausíveis sejam feitas na apresentação dos projetos culturais que permitam seu financiamento / reconhecer como equivalentes os valores tanto das expressões artísticas eruditas como das populares, instituindo assim o multiculturalismo, reduzindo-se a necessidade de monitoramento do avanço da indústria cultural
  • o alargamento do mercado nacional das artes e da globalização da cultura nacional; o fomento às artes ser administrado no mesmo feitio que o amparo à ciência, mesmo sem isso ser aceito no âmbito da comunidade acadêmica ligadas às artes / uma política cultural de gestão pública que pudesse se apoiar no conhecimento pericial dos críticos para que sejam estabelecidas diretrizes a partir de parâmetros democráticos, externalizando-se assim as instâncias de julgamento
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