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#3253299
Texto da Questão:

Atenção: use o caso descrito a seguir para responder a próxima questão.

Helvécio, contador, 28 anos, contraiu Covid-19 em 2021. Apesar da boa evolução, ele experimentou um estado de ansiedade intenso, com sintomas psicossomáticos (dor torácica e dispneia). Durante os dez dias da infecção, foi ao hospital algumas vezes acreditando estar em estado hipoxêmico, dada a intensidade da sensação de dispneia, mas era sempre “alarme falso”.

Logo após sua cura clínica, seu irmão contraiu Covid-19 pela segunda vez e desenvolveu uma forma mais grave, precisando ficar quatro dias em observação na UTI.

A partir daí, Helvécio começou a “ter mania de Covid”. Usava mais de um litro de álcool gel ao dia para as mãos e limpava a casa incessantemente. “Eu penso que o vírus pode ter sobrevivido. Na maçaneta do quarto, por exemplo. Tenho que limpar a mão com álcool, tudo com álcool. Mas minha cabeça diz que o vírus continua ali. E começo a sentir ele dentro de mim, será que estou doido?”

Como está trabalhando em home-office, Helvécio evita ao máximo qualquer contato com o mundo exterior. As únicas pessoas que ele tem recebido em casa são a mãe e o irmão. E ambos têm que fazer um auto teste de antígeno na área de serviço, e ainda entrar de máscara, assentar-se ou tocar somente no que é pré-determinado por ele.

Ele tem saído à rua apenas para o estritamente indispensável e, quando o faz, usa luvas, óculos protetores, e no mínimo duas máscaras. Desce e sobe pelas escadas para não se encontrar com alguém no elevador. Caso encontre com alguém no saguão do seu prédio, tem que voltar em casa e aguardar alguns minutos “para o ar renovar... É o medo do vírus ainda estar ali, no ar que as pessoas respiraram...” Basta ouvir a palavra Covid que até hoje começa a tossir descontroladamente. Tem feito de três a quatro auto testes de Covid ao dia, chegando a nove, de marcas diferentes e farmácias diferentes. Há uma semana foi às carreiras para o Hospital, pois havia visto o resultado como positivo. “Havia uma segunda faixa ali... fraquinha demais, mas havia... o médico me mandou procurar o psiquiatra e também tomar 4 mg de risperidona todo dia. Eu não sei o que há de errado comigo... Porque eu sei que não é assim, mas meu cérebro fica me torturando dizendo que vou pegar Covid e morrer.” 

A mãe e o irmão de Helvécio contam que ele sempre foi um jovem tranquilo, embora muito organizado, perfeccionista e sistemático. Além de processos ansiosos autolimitados, relacionados a situações complicadas de sua vida, não apresentava antes nenhum indício de sofrimento mental significativo. 

Sobre o caso clínico acima, assinale a afirmativa correta. 

  • A percepção da leitura positiva do teste de Covid pode ser um indicativo de evolução para uma psicose, pois trata-se de um fenômeno alucinatório chamado de pareidolia.
  • A Risperidona, no caso supracitado, foi prescrita pelo médico como um ansiolítico e não como antipsicótico.
  • Está claro que Helvécio desenvolveu agorafobia como comorbidade.
  • Um tratamento de primeira linha para Helvécio poderia ser a Terapia Cognitivo-Comportamental.
  • O tratamento neurocirúrgico, por meio da tractotomia frontal, é uma forma efetiva, embora radical, de tratamento de casos refratários e de grande sofrimento e disfuncionalidade.
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