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#3334483
Texto da Questão:

TEXTO 2


        Há quem diga que a maré de desempregos que está a assolar a maioria dos países é fenômeno de média duração, efeito de uma produção industrial que se informatiza e se globaliza cada vez mais. Com o tempo (prosseguem as mesmas vozes) tudo se ajusta: os trabalhadores se adaptam e se especializam, o mercado desbasta suas anomalias e as economias se tornam mais estáveis.


        Tal raciocínio - ainda que estivesse correto - não leva em conta a emergência das necessidades vitais dos trabalhadores, esses seres impacientes que teimam em se alimentar a cada dia, nunca se conformando ao ritmo e à lógica dos processos econômicos... Mas sequer está correto o raciocínio: a lógica da produção não se inclina para o real equilíbrio de uma sociedade, e a prova disso é o mundo torto em que vivemos. Se a informatização e a globalização viessem para servir os homens, sobretudo os que verdadeiramente criam riquezas com seu trabalho, haveriam de respeitá-los a cada passo e de se adaptar, elas, às condições humanas, e não o contrário.


        Nos dias ultra-amargos da Segunda Guerra Mundial, lamentava o poeta Carlos Drummond de Andrade:


À sombra do mundo errado


murmuraste um protesto tímido.


Mas virão outros.


        Aquela guerra acabou, mas o "mundo errado" continua cada vez mais difícil de mudar, poeta; não o abalam nem mesmo as tantas e altas vozes da crescente multidão de excluídos. Os senhores do império planetário talvez se convençam da fragilidade da Iógica" do processo quando já não houver quem possa se interessar pela massa de tão miraculosa produção.

... lamentava o poeta Carlos Drummond de Andrade:
À sombra do mundo errado murmuraste um protesto tímido. Mas virão outros.
Transpondo-se para discurso indireto o discurso direto acima, tem-se a forma correta: 

  • o poeta Carlos Drummond de Andrade lamentava dizendo-nos que, à sombra do mundo errado, havíamos murmurado um protesto tímido, mas que outros estariam por vir.
  • o poeta Carlos Drummond de Andrade lamentou dizendo que, à sombra do mundo errado, haviam murmurado um protesto tímido, mas que outros certamente poderiam vir.
  • o poeta Carlos Drummond de Andrade lamentou-se dizendo aos indivíduos com quem conversava que, à sombra do mundo errado, eles tinham murmurado um protesto tímido, mas que outros viriam.
  • o poeta Carlos Drummond de Andrade lamentava dizendo a seu interlocutor que este, à sombra do mundo errado, havia murmurado um protesto tímido, mas que outros viriam.
  • o poeta Carlos Drummond de Andrade lamentou dizendo: à sombra do mundo errado, murmuraste um protesto tímido, e outros virão.
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