A COMPADECIDA – Não, João, por que eu iria me zangar?
Aquele é o versinho que Canário Pardo escreveu para mim e que
eu agradeço. Não deixa de ser uma oração, uma invocação. Tem
umas graças, mas isso até a torna alegre e foi coisa de que eu
sempre gostei. (...)
PADRE (ajoelhando-se) – Ave-Maria, cheia de graça, o Senhor é
convosco, bendita sois vós entre as mulheres, bendito é o fruto de
vosso ventre, Jesus.
JOÃO GRILO – Antes de respondermos, lembrem-se de dizer,
em vez de “agora e na hora de nossa morte”, “agora na hora de
nossa morte”, porque do jeito que nós estamos, está tudo
misturado.
TODOS – Santa Maria, mãe de Deus, rogai por nós pecadores,
agora na hora de nossa morte. Amém.
Ariano Suassuna. Auto da Compadecida.
26 ed. Rio de Janeiro: Agir, 1993 (com adaptações)
Em relação à linguagem, aos sentidos e aos aspectos linguísticos
do texto precedente, que apresenta um trecho da obra
dramatúrgica Auto da Compadecida, de Ariano Suassuna,
julgue os seguintes itens. Na segunda fala de João Grilo, o emprego da conjunção ‘e’
no trecho ‘agora e na hora de nossa morte’ indica a
existência de dois momentos distintos, que se transformam,
na proposta apresentada pelo personagem, sob o argumento
de que “está tudo misturado”, em um único momento
específico.
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