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#2956830
Texto da Questão:

Texto I


Lisboa: aventuras


Tomei um expresso

cheguei de foguete

subi num bonde

desci de um elétrico

5 pedi cafezinho

serviram-me uma bica

quis comprar meias

só vendiam peúgas

fui dar descarga

10disparei um autoclismo

gritei “ó cara!”

responderam-me “ó pá!”

positivamente

as aves que aqui gorjeiam não gorjeiam como lá.


PAES, José Paulo. Lisboa: aventuras. A poesia está morta, mas

juro que não fui eu. São Paulo: Duas Cidades, 1988, p. 40.

Diz-se que há intertextualidade quando um texto interfere ou se faz presente em outro. É o que acontece no último verso do poema “Lisboa: aventuras”, em que o autor incorpora um trecho da “Canção do exílio”, de Gonçalves Dias. No poema de José Paulo Paes,

  • as “aves” simbolizam os usuários do Português, e os “gorjeios”, as diferenças entre a variante linguística lusitana e a brasileira.
  • as aves do Brasil estão representadas pelo sabiá, e os pássaros de Portugal, pelo rouxinol, ave da Europa e da Ásia.
  • o “aqui” e o “lá” descaracterizam-se semanticamente ao fazer referência à localização geográfica de Portugal e do Brasil.
  • o tema abordado é um desabafo do colonizado em relação ao colonizador, apesar do tempo decorrido desde o fim da dominação lusa.
  • os versos de Gonçalves Dias têm o sentido figurado nos dois poemas: a valorização da cultura portuguesa pelos brasileiros.
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