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#1683703
Texto da Questão:

Malpassado


     Quanto mais sutil a opressão, mais cruel. Por isso, dentre as mil formas de “subjugar” os outros, tenho uma implicância especial com o bom gosto. Apontar o que há de brega, cafona, fora de moda ou exagerado nas pessoas é uma vaidade disfarçada de virtude.

     Dentre as mil formas de se oprimir pelo gosto, uma das que me dão mais raiva é o ponto da carne. Repare com que orgulho o cidadão declara ao garçom, num restaurante, “malpassado”. Fala alto, para que os outros ouçam, como se a pergunta fosse “Onde você se formou?” e a resposta, “Harvard”.

    Já o pobre diabo que quer seu bife bem passado é quase um proscrito. Eu sou churrasqueiro. Vejo uma amiga ou amigo se aproximar da grelha e pelo jeito que se arrasta, com o rabo entre as pernas, quase ganindo, sei o que vai pedir. Ela(e) chega bem perto. Inclina o corpo. Com cautela sussurra no meu ouvido como quem pede algo ilícito: “Será que rola sair uma um pouquinho mais bem passada?”.

    Venho de uma família dogmática. Minha avó tem uma pousada e no cardápio está escrito, em letras maiores do que as dos pratos: “Não servimos bife bem passado”. “No meu restaurante eu não sirvo comida ruim!”, ela diz. Eu respeito sua posição. Contudo, rompendo com os valores familiares, ajo diferente. Não ao ponto de preferir carne bem passada, mas pelo menos ao de grelhá-la mais pra quem quiser. Acredito que o churrasqueiro é um funcionário público e está a serviço dos comensais, não o contrário.

    “Ah, Antonio, mas e o ketchup na pizza?”. (Não sei por que pus entre aspas, sou eu perguntando pra mim mesmo). “E o cream cheese no sushi?”. “E o macarrão no bufê do rodízio?”. Aceitemo-los — assim como vós aceitais essa mesóclise. São todos filhos da Revolução Francesa, frutos da democracia. O preço da liberdade não é só a eterna vigilância. Entram também na conta o Crocs, a estampa de oncinha e o bife esturricado.

(Antônio Prata. Adaptado).

“Aceitemo-los” — assim como vós aceitais essa mesóclise.


A mesóclise se caracteriza pela colocação do pronome oblíquo no meio de um verbo. A partir disso e de acordo com a norma-padrão da Língua Portuguesa, quanto à colocação pronominal, assinale a alternativa que apresenta uma afirmação correta sobre a frase acima.

  • O uso do pronome e a caracterização do processo como mesóclise estão corretos, já que o pronome oblíquo “o” vem no meio da conjugação do verbo, que termina com “los”.
  • O uso do pronome está correto, mas a caracterização como mesóclise não. Trata-se de ênclise, já que o pronome oblíquo “os” está após a conjugação completa do verbo.
  • O uso do pronome e a caracterização como mesóclise estão erradas, porque seria necessário corrigir a conjugação do verbo para ter “aceitemos-los” e se trata de uma ênclise uma vez que o pronome “los” vem ao final.
  • O uso do pronome está incorreto apesar de sua classificação como mesóclise estar correta. O pronome oblíquo “o” vem no meio da conjugação do verbo, que termina em “los”, mas o correto seria escrever “aceitemos-los”.
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