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#2329149

Leia o texto crítico sobre o romance Memórias póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis.


“A formação acadêmica de Brás é uma evidente sátira aos filhos da classe dominante brasileira do XIX, que buscam as novidades teóricas e políticas na Europa, não para adotá-las em seu país de origem, mas para usá-las como instrumento de legitimação e preservação de poder político e prestígio pessoal.” (SCARPELLI, Marli Fantini. “Pai contra mãe” de Machado de Assis: a negativa das negativas. In: Via Atlântica. Universidade de São Paulo, n. º 6, 2003, p.122).


O comentário crítico pode ser ilustrado com a seguinte passagem de Machado de Assis:

  • “Outrossim, afeiçoei-me à contemplação da injustiça humana, inclinei-me a atenuá-la, a explicá-la, a classificá-la por partes, a entendê-la, não segundo um padrão rígido, mas ao sabor das circunstâncias e lugares. ” (ASSIS, 1978, p.31)
  • “E foi assim que desembarquei em Lisboa e segui para Coimbra. A universidade esperava-me com as suas matérias árduas: estudei-as muito mediocremente, e nem por isso perdi o grau de bacharel. ” (ASSIS, 1978, p. 49).
  • “–Desta vez – disse ele –vais para a Europa; vais cursar uma universidade, provavelmente Coimbra: quero-te para homem sério e não arruador e gatuno. (...) Gatuno, sim senhor: não é outra coisa um filho que me faz isto...” (ASSIS, 1978, p. 42-43)
  • “Dormi, sonhei que era nababo, e acordei com a ideia de ser nababo. Eu gostava, às vezes, de imaginar esses contrastes de região, estado e credo. Alguns dias antes tinha pensado na hipótese de uma revolução social, religiosa e política (...)” (ASSIS, 1978, p. 168).
  • “– Meu caro Brás Cubas, não te deixes vencer desses vapores. Que diacho! É preciso ser homem! ser forte! lutar! vencer! dominar! Cinquenta anos é a idade da ciência e do governo. ” (ASSIS, 1978, p. 156).
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