Cadernos de Questões

Provas Favoritas

Filtros Salvos

Foram encontradas 63 questões.
#3219624
Texto da Questão:

A um poeta 



Longe do estéril turbilhão da rua,


Beneditino*, escreve! No aconchego


Do claustro, na paciência e no sossego,


Trabalha, e teima, e lima, e sofre, e sua! 



Mas que na forma se disfarce o emprego


Do esforço; e a trama viva se construa


De tal modo, que a imagem fique nua,


Rica mas sóbria, como um templo grego. 



Não se mostre na fábrica o suplício


Do mestre. E, natural, o efeito agrade,


Sem lembrar os andaimes do edifício: 



Porque a Beleza, gêmea da Verdade,


Arte pura, inimiga do artifício,


É a força e a graça na simplicidade.



Olavo Bilac. Tarde. In: Olavo Bilac: obra reunida (org. Alexei Bueno).


Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1996. p. 268.


*monge da ordem de S. Bento 

Considerando a leitura do poema apresentado e os aspectos da obra de Olavo Bilac, assinale a opção correta. 

  • O poema ilustra o estilo parnasiano, contemporâneo ao Realismo/Naturalismo, e tematiza o árduo trabalho dos operários da época, conforme o emprego de palavras e expressões como “Trabalha” (v. 4), “trama’ (v. 6), “construa” (v. 6), “templo grego” (v. 8), “fábrica” (v. 9), “andaimes do edifício” (v. 11).
  • O tema artístico do poema expõe a adesão do poeta ao estilo parnasiano, cujo lema — “Arte pela arte” — é explorado por meio da metalinguagem, ou seja, o tema do poema é a construção de um poema segundo o ideal de perfeição estética da poesia parnasiana.
  • Na primeira estrofe, por meio do emprego do vocativo “Beneditino” (v. 2) e do polissíndeto (v.4), o poeta elege o interlocutor dos seus versos e valoriza o trabalho do monge, incansável, mas pouco valorizado, nas ruas da cidade.
  • Na segunda estrofe, a construção do “templo grego”, rico e sóbrio, ambienta o poema no cotidiano da Antiguidade greco-romana para simbolizar o resgate dos valores clássicos da arte defendida na poesia parnasiana.
  • Na última estrofe, a “simplicidade” (v.14), valorizada na antítese entre “Arte pura” e “artifício” (v.13), é defendida pelo poeta como a representação da realidade da vida na poesia, sem os sentimentalismos ou os exageros que marcaram o Romantismo.
Fale com IAgo
IAgo - Assistente IAProva
IA
Olá! Sou o IAgo, seu assistente aqui no IAProvatec 😊
Veja como posso te ajudar:
Agora