Descobri aos 13 anos que o que me dava prazer nas
leituras não era a beleza das frases, mas a doença
delas.
Comuniquei ao Padre Ezequiel, um meu Preceptor,
esse gosto esquisito.
Eu pensava que fosse um sujeito escaleno.
– Gostar de fazer defeitos na frase é muito saudável,
o Padre me disse.
Ele fez um limpamento em meus receios.
O Padre falou ainda: Manoel, isso não é doença,
pode muito que você carregue para o resto da vida
um certo gosto por nadas…
E se riu.
Você não é de bugre? – ele continuou.
Que sim, eu respondi.
Veja que bugre só pega por desvios, não anda em
estradas –
Pois é nos desvios que encontra as melhores surpresas
e os ariticuns maduros.
Há que apenas saber errar bem o seu idioma.
Esse Padre Ezequiel foi o meu primeiro professor de
agramática.
(Manoel de Barros)
Para Koch & Travaglia, a coerência textual “[...] tem a ver com a boa formação em termos de interlocução
comunicativa, que determina não só a possibilidade de estabelecer o sentido do texto, mas também, com
frequência, qual sentido se estabelece.” (Coerência textual. 12ª ed. São Paulo: Contexto, 2001, p. 32).
Ampliando esse conceito, Van Dijk e Kintsch (Strategies in Discourse Comprehension. New York: Academics
Press, 1983) afirmam a existência de diversos tipos de coerência. A partir desses princípios, ao se analisar o
texto de Manoel de Barros (texto II), podemos afirmar que nele, preponderantemente, as relações
macroestruturais se dão através da:
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