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#2577280

“Sete anos e um dia após o suicídio de Getúlio Vargas, outro presidente, igualmente eleito com expressiva votação popular, deixava o poder de forma traumática. Mas, além de carecer do sentimento de grandeza, inegável no gesto de Getúlio, a renúncia de Jânio Quadros permanece até hoje envolta na polêmica que ora enxerga o golpe, ora a insanidade do protagonista. E a crise que provocou, pela tentativa militar de se impedir a investidura constitucional do vice João Goulart, quase leva o país à guerra civil”

BENEVIDES, M. O governo Jânio Quadros. Rio de Janeiro: 1982, p. 7).


Dentro do quadro traumático que foi o curto governo Jânio Quadros, podemos entender que:

  • Jânio Quadros candidatara-se com apoio de poderosos grupos econômicos exatamente em oposição à aliança partidária PSD-PTB, herdeira natural da tradição varguista.
  • Jânio da Silva Quadros, sucessor de Juscelino Kubitschek, foi o segundo presidente a tomar posse em Brasília, a 31 de janeiro de 1961.
  • O estilo autoritário, moralista e extremamente personificado de Jânio Quadros evocava um militarismo, antiparlamentar e associado ao grande capital, imbuído de forte sentimento de justiça social.
  • O governo Quadros transcorreu num período marcado pelo prenúncio de estabilização econômica, pela diversificação dos movimentos sociais — ligas Camponesas, crescimento do sindicalismo urbano e intensificação das greves.
  • Além do recurso à demagogia teatral, a atuação de Jânio Quadros seria sempre marcada pela alta incidência de contradições e ambiguidades, como a condenação da Invasão Americana à Baia dos Porcos, em Cuba.
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