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#2577264

“A violência do movimento nacional-socialista, com a ajuda de associações de defesa privadamente organizadas, tinha causado a quase completa dissolução do monopólio de força — sem o qual um Estado, a longo prazo, não pode funcionar — e destruiu a República de Weimar de dentro para fora (...) O plano da juventude nacionalista desses dias, que tinha frequentemente se unido para formar grupos de combate, era um tanto vago e negativamente definido. Ernst Jünger escreveu que nada tinha a ver com monarquia, conservadorismo, reação burguesa ou com o patriotismo do período guilhermino. Através da tomada do poder por Hitler, esse propósito negativo recebeu um rosto positivo. Assim, 30 de junho de 1934 foi o símbolo típico, quase paradigmático, do divisor de águas no desenvolvimento de um movimento revolucionário radical, que obteve êxito e cujos adeptos se converteram, então, de destruidores do Estado em representantes do Estado”.

ELIAS, N. Os alemães. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed. 1997, p. 208).


O nazismo é um dos grandes temas do século XX, ainda gerando perplexidades e espanto hoje em dia. Sobre o esse fenômeno e seu correlato, fascismo, é INCORRETA a seguinte afirmação:

  • Denominamos de fascismo, algumas vezes mais corretamente no plural — fascismos —, o conjunto de movimentos e regimes de extrema direita que dominou um grande número de países europeus desde o início dos anos 20 até 1945. Assim, as expressões nazismo, nacional-socialismo, hitlerismo etc, recobririam uma só realidade política, os regimes de extrema direita que dominaram vários países no período em questão.
  • Encontramo-nos numa situação insólita: sabemos qual a prática e as consequências do fascismo e sabemos, ainda, que não é um fenômeno puramente histórico, aprisionado no passado. Assim, torna-se impossível escrever sobre o fascismo histórico — o que é apenas uma distinção didática — sem ter em mente o neofascismo e suas possibilidades.
  • O fenômeno se caracteriza por uma forte coerência externa, assim, muito rapidamente teceu-se, na Europa, uma eficaz teia de identidades e colaboração, inclusive de intervenção salvadora, como na Espanha e Hungria, entre os diversos regimes e movimentos fascistas, muitas vezes superando adversidades históricas e nacionais.
  • O fenômeno se caracteriza por uma forte coerência interna, embora exclusivamente voltada para o processo interno de fascistização de cada país, apontava seguidamente para as mesmas características: antiliberalismo, antidemocratismo e antissocialismo, com as práticas políticas repressivas daí decorrentes. Foi essa mesma coerência que permitiu o surgimento da resistência antifascista.
  • Canalizando, em tempo integral, a potência do indivíduo para odiar, transferindo para um estranho as causas do seu próprio mal-estar e afagando um ego aniquilado nas suas possibilidades de felicidade, em especial ao atribuir ao estranhado qualidades ambicionadas por todos (como a raça e o sangue, a virilidade, a lealdade e a força), o fascismo rompe com a tradição de participação política do Ocidente e aproxima-se tanto de posturas místicas e cultiva cerimoniais cívicos coletivos.
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