Leia a resposta dada pelo historiador Enzo Traverso em uma
entrevista.
Falando do problema da periodização, se adoptarmos este
paradigma político, podemos percorrer a história do mundo
contemporâneo através de um determinado esquema
interpretativo que inclui certas etapas, mas se adoptarmos outras
abordagens, a história muda. Dou um exemplo banal. Entre 1930
e 1950, a Europa Ocidental viveu dois momentos históricos
diferentes. No plano político, entre as duas guerras, surgiu o
fascismo, enquanto no segundo pós-guerra se iniciou a
construção da Comunidade Europeia. No entanto, do ponto de
vista do consumo, não há grande diferença entre 1930 e 1950: o
nível de vida dos europeus é semelhante, enquanto entre
europeus e americanos a diferença é enorme. Ao mesmo tempo, o
sistema político continua a ser o que corresponde à Guerra Fria.
Um outro problema surge quando se tenta periodizar. A
periodização implica sempre um observatório que a historiografia
universaliza muitas vezes de forma acrítica, com base numa
singularidade: a do mundo ocidental. Os estudos pós-coloniais
ajudam-nos a repensar certas metodologias e a repensar a nossa
maneira de fazer as coisas.
Adaptado de: MODONESI, Massimo, Historia, memoria y política Entrevista con Enzo
Traverso, Andamios 4, n.8, 2008, pp. 246-247.
Com base na entrevista, assinale a afirmativa que menciona
corretamente a postura de Enzo Traverso sobre a periodização na
História.
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