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#1745521

“Todos os olhares em mim e eu não sabia para onde olhar. A professora falava sobre negros escravos (e não escravizados), chibata, mortes, famílias separadas, até que uma princesa branca chamada Isabel, assinou a lei Áurea e libertou os meus ancestrais, no dia 13 de maio de 1888.

Uma salvadora branca, como todas as minhas bonecas.

E eu, a única negra da sala era a representação dessa

tragédia, a personificação de um povo que só sofreu, de acordo com os meus professores. Uns olhares eram de dó, outros me intimidavam, mas todos me deixavam desconfortável.

O período da escravidão até a abolição era a única menção à população negra em quase toda a minha vida escolar, durante os anos 80 e 90. Como gostar de ser negra, se tudo o que eu aprendi na escola sobre meus antepassados estava atrelado ao maior ato terrorista da humanidade que foi a escravidão negra, que durou mais que o Holocausto e a maioria das guerras?

[...] Nos tempos atuais, resta que as escolas e educadores se preparem para ensinar sobre os negros, não só sobre suas dores, mas sobre suas contribuições para humanidade, para alunos de todas as etnias”.

NASCIMENTO, Silvia. ‘O constrangimento das crianças negras nas aulas sobre escravidão e

abolição’ In: <https://mundonegro.inf.br/o-constrangimento-das-criancas-negras-nas-aulassobre-escravidao-e-abolicao/>, acesso em 12 de maio de 2019. (adaptado)


A partir da Lei nº 10.639/2003, tornou-se obrigatório, em todos os segmentos da educação básica, o ensino de história e cultura afrobrasileira e africana. Entretanto, como relata a reportagem acima, no geral, esse conteúdo é mal lecionado – quase sempre por falta de formação, informação ou sensibilidade. Assim, ao preparar aulas sobre história e cultura afro-brasileira e africana, o professor deve levar em consideração que:


  • o ensino da história dos africanos e de seus descendentes no Brasil é abordado, frequentemente, pelo viés da escravidão e do tráfico porque é a melhor forma de estudar a contribuição desse povo sofrido na história do Brasil
  • a única forma de abordar a história dos africanos e seus descendentes é pelo estudo das revoltas contra a escravidão, pois é somente nesse momento que deixam a coisificação do cativeiro para se tornarem protagonistas da sua história
  • a história das sociedades africanas e de seus descendentes foi, durante muito tempo, invisibilizada em grande medida devido às ideias preconcebidas sobre o continente africano produzidas, sobretudo, pelos europeus nos séculos XVIII e XIX
  • a contribuição de africanos e de seus descendentes para a história do Brasil foi marcante no âmbito do trabalho e ínfima no aspecto social e cultural, o que explica as abordagens marginalizadas e circunscritas a esse aspecto de suas vidas
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