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#1966835

Embora os historiadores estejam naturalmente cientes de que os índices de mudança variam nas diferentes camadas ou setores da sociedade, o hábito e a conveniência mandam, em geral, que a forma de uma obra implique ou obedeça a um monismo cronológico. Vale dizer, seus materiais são tratados como se compartilhassem um ponto de partida comum e um mesmo ponto de chegada, abarcados por um único espaço de tempo. Neste estudo, não há tal meio temporal, uniforme: pois os tempos dos absolutismos mais importantes da Europa – oriental e ocidental – foram, precisamente, caracterizados por uma enorme diversidade, constitutiva ela mesma de sua natureza respectiva, enquanto sistemas estatais.
(Perry Anderson. Linhagens do Estado absolutista)
Como argumento para a tese apresentada, Perry Anderson mostra que

  • o absolutismo espanhol sofreu, nos Países Baixos, sua primeira grande derrota, o absolutismo inglês foi derrotado em meados do século XVII, e o absolutismo russo só foi derrubado no século XX.
  • durante a Idade Moderna, entre os séculos XV e XVIII, prevaleceram estruturas monárquicas nas quais o poder do soberano era diluído entre outras instituições políticas, como as Cortes portuguesas.
  • as práticas absolutistas foram menos centralizadoras do que se teorizou, visto que o poder dos reis durante o Mundo Moderno foi limitado por parlamentos e pelos privilégios da burguesia ascendente.
  • as monarquias efetivamente absolutas prevaleceram apenas no leste europeu, porque nesse espaço inexistiam mecanismos de controle sobre o poder do soberano, como os conselhos do rei.
  • a experiência da monarquia francesa durante a Idade Moderna constituiu-se no único ordenamento efetivamente absolutista porque todas as atribuições do Estado passavam pelas mãos do soberano.
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