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#3526421

Leia o trecho a seguir.

O que há em comum entre um cavalo de pau e uma serpente de fibras? Segundo Ernst Gombrich, o cavalinho de pau é bastante trivial e, geralmente, contenta-se em ocupar seu lugar no canto do quarto de uma criança, sem nutrir ambições estéticas. Detesta afetações e assim mostra-se satisfeito com seu corpo de madeira e sua cabeça talhada toscamente. A serpente de fibras é igualmente corriqueira, podendo ser encontrada em todas as cozinhas dos índios Wayana. Nas lides cotidianas este utensílio presta-se a uma única função, espremer a massa de mandioca ralada, para a qual foi justamente confeccionado. Na perspectiva indígena, esses dois atributos, especificidade de uso e propriedade funcional, sobretudo quando conjugados, constituem a condição máxima de valorização e beleza de um artefato.

Adaptado de VELTHEM, L. H. 2009. Mulheres de cera, argila e arumã: princípios criativos e fabricação material entre os Wayana. In: Mana, 15, 2009, p. 213.

Sobre as estéticas que fundamentam as artes indígenas, é correto deduzir que, na cultura ameríndia,

  • cestos, bancos, colares são apreciados como belos quando expressam um requinte de feitura e matéria-prima.
  • o valor estético de um objeto é dado pela sensibilidade do seu usuário, de modo subjetivo e incomunicável.
  • a beleza está relacionada à materialidade e às formas de apreensão e definição dos artefatos produzidos nas aldeias e comunidades.
  • os objetos cotidianos são percebidos como belos quando manifestam harmonia e proporção formal.
  • a simetria e a capacidade de elevar o espírito são atributos estéticos que qualificam determinados artefatos em relação aos demais.
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