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#1966871

Correndo paralela à historiografia oficial produzida no século XIX e começo do XX, que deu visibilidade apenas aos homens como personagens principais das lutas pela independência, encontra-se outra literatura – obras de uma série de autores menos valorizados que escreveram biografias sobre as heroínas desse movimento. Existe um repertório composto por livros sobre “mulheres célebres”, “mulheres patrióticas”, “mulheres ilustres”, que devia servir como lição de moral para as jovens e que, muitas vezes, era leitura obrigatória nas escolas.
(Maria Ligia Coelho Prado, América Latina no século XIX. Tramas, telas e textos)
O excerto acima está relacionado ao contexto

  • de disputa entre grupos feministas acerca da desimportância das mulheres nas insurreições ocorridas na América Latina a partir do século XIX, para a construção de um revisionismo histórico.
  • da chamada Guerra cultural, que busca deslegitimar anos de pesquisas em história que culmina na versão heroica dos libertadores da América como, por exemplo, José Martí e Simon Bolívar.
  • de separação entre a chamada nova História e a escola Positivista que, por sua vez, valorizam a presença de heroínas mulheres, enquanto ignoram a participação dos homens e heróis consagrados.
  • da valorização de novas fontes documentais para o estudo sobre o processo de independência da América Latina, que busca ressignificar sujeitos historicamente silenciados pela história oficial.
  • da chamada doutrinação e ideologia de gênero, que considera os heróis da independência Latino Americana como inferiores em relação às heroínas mulheres, conforme os novos documentos sugerem.
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