Depois da hegemonia das correntes pós-modernas nos anos 80
e na primeira metade dos anos 90, que viam como impossível a
comparação etnográfica, a acumulação de materiais de campo,
a maior comunicação entre os investigadores e a discussão dos
princípios relativistas no interior das próprias sociedades tradicionais, levaram ao ressurgimento de projetos comparativos orientados para a identificação de tendências na evolução social.
Descola e Palsson, por exemplo, afirmam: “paradoxalmente, uma
fé renovada no projeto comparativo pode ter emergida da
riqueza mesmo da própria experiência etnográfica, isto é, do
reconhecimento partilhado de que certos padrões, estilos de
prática e conjuntos de valores, descritos por colegas antropólogos
em diferentes partes do mundo, são compatíveis com o conhecimento que cada um tem de uma sociedade particular. Em
outras palavras, a etnografia promove o foco no particular, e a
multiplicação de particulares etnográficos reaviva o interesse pela
comparação.
(Descola e Palsson 1996:17-18. A antropologia hoje. Disponível em: bvs.br.)
A presente crise ecológica conduziu a uma revisão de paradigmas em antropologia e ao questionamento da contribuição da disciplina para a elaboração das políticas ambientais
e para a luta dos movimentos ambientalistas. Dessa forma:
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