“Ao ataque de lança ou golpes de facão, foram os expropriados os que realmente combateram, quando despontava o século
XIX, contra o poder espanhol nos campos da América Latina. A independência não os recompensou: traiu as esperanças dos que
tinham derramado seu sangue. Quando a paz chegou, com ela se reabriu uma época de cotidianas desditas. Os donos da terra
e os grandes mercadores aumentaram suas fortunas, enquanto se ampliava a pobreza das massas populares oprimidas. [...] As
burguesias destas terras nasceram como simples instrumentos do capitalismo internacional, prósperas peças da engrenagem
mundial que sangrava as colônias e semicolônias. Os burgueses de vitrina, agiotas e comerciantes, que açambarcaram o poder
político, não tinham o menor interesse em impulsionar a ascensão das manufaturas locais, já mortas ao nascer quando o livrecambismo abriu as portas à avalanche de mercadorias britânicas. [...] Frustração econômica, frustração social, frustração nacional:
uma história de traições sucedeu à independência.”
(GALEANO, Eduardo. As veias abertas da América Latina. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987, pp. 128-129.)
A partir do texto do escritor uruguaio Eduardo Galeano (1940-2015), que analisa as consequências das independências na
América Latina, considere os efeitos políticos, econômicos e sociais nas novas repúblicas, e assinale a afirmativa que corresponde
corretamente ao impacto da independência na formação dessas novas nações.
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