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#3700284
Texto da Questão:

Leia o excerto do conto de Conceição Evaristo para responder a questão:

        A morte brinca com balas nos dedos gatilhos dos meninos. Dorvi se lembrou do combinado, o juramento feito em voz uníssona, gritado sob o pipocar dos tiros:

        — A gente combinamos de não morrer!

        Limpou os olhos. Lágrimas apontavam diversos sentimentos. A fumaça que subia do monturo de lixo ao lado justificava qualquer gota ou rio-mar que surgisse e rolasse pela face abaixo. Era a fumaça, desculpou-se consigo mesmo e cantarolou mordiscando a dor, a canção do Seixas: “Quem não tem colírio usa óculos escuros.”

        A morte incendeia a vida, como se essa estopa fosse. Molambos erigem fumaça no ar. Na lixeira, corpos são incinerados. A vida é capim, mato, lixo, é pele e cabelo. É e não é. Na televisão deu:

        — Mataram a mulher, puseram o corpo na lixeira e atearam fogo!

(Conceição Evaristo, “A gente combinamos de não morrer”. Olhos d’água, 2016)

Em relação à frase do 2° parágrafo “— A gente combinamos de não morrer!”, são análises coerentes com o exposto por Bechara (2015), Bagno (2003) e Martins (2008), correta e respectivamente:

  • Tal construção atende à concordância entre sujeito e verbo tanto no conteúdo quanto na expressão. / O uso contraria a norma-padrão e pode ocorrer no contexto do dia a dia, mas deve ser evitado na escola. / Trata-se de um caso de concordância estilística, a exemplo de “Consultemos o coração aqueles que o tivemos”.
  • Tal construção atende à concordância entre sujeito e verbo, já que “a gente” pressupõe “nós”. / Trata-se de uso que contraria a norma de prestígio, razão pela qual deve ser evitado, principalmente no ambiente escolar. / Trata-se de um caso de concordância lógico-formal, a exemplo de “Os rios estão vazios”.
  • Tal construção deve ser evitada, mesmo que haja distância suficiente entre sujeito e verbo. / O uso de formas não padrão não interfere na comunicação e elas devem ser amplamente disseminadas. / Trata­ -se de um caso de concordância lógico-formal, a exemplo de “A casa e o apartamento estavam sujeitos ao alto imposto na cidade”.
  • Tal construção soa desagradável ao ouvido pela proximidade entre sujeito e verbo. / A crítica a esse tipo de construção constitui preconceito linguístico, vindo, em geral, das camadas privilegiadas da população. / Trata-se de um caso de concordância estilística, a exemplo de “... tratei logo de convocar a trinca do Curvelo para que me arranjassem uma gaiola”.
  • Tal construção desqualifica o uso da língua culta e impõe um padrão de falar que se deve evitar. / Desqualificar a concordância nessa construção é uma atitude de preconceito linguístico que nega a língua viva. / Trata-se de um caso de concordância estilística, a exemplo de “Sim, eu agora ando bom. E tu, meu Luís, como vamos de saúde?”.
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