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#3700371
Texto da Questão:

Leia o texto a seguir para responder às questões abaixo.


Vamos conversar sobre o Nobel de Economia e os limites do planeta?


    O Prêmio Nobel de Economia de 2025 voltou a iluminar um velho tema da fé moderna: a crença de que a inovação é o motor do progresso. Ao reconhecer os economistas que explicaram, com refinamento teórico e dados sofisticados, como o avanço tecnológico impulsiona a produtividade e o crescimento, o prêmio parece reafirmar uma convicção que sobreviveu a todas as crises: se há problemas, a inovação os resolverá.

    Vale indagar se essa confiança ainda se sustenta, tal como a concebemos, no mundo de hoje. Não porque a inovação tenha perdido relevância; ao contrário, nunca foi tão necessária. Mas porque o contexto mudou. A economia global de 2025 vive sob a sombra dos limites ecológicos, das mudanças climáticas e de uma sensação difusa de que o planeta não aguenta mais o tipo de crescimento que associamos ao bem-estar.

    Diante disso, quem sou eu para rejeitar as ideias dos laureados? Elas são sólidas, fecundas e belas na sua lógica interna. A questão é outra: será que elas respondem às perguntas do nosso tempo? Ou continuamos aplicando um modelo de raciocínio forjado em um contexto de expansão, num planeta que parecia infinito, a um mundo que agora descobre seus contornos finitos?

    A inovação, sozinha, não garante sustentabilidade. Porque toda inovação é ambígua — cria soluções, mas também novas pressões. Os carros elétricos reduzem emissões, mas ampliam a demanda por lítio e cobalto. A inteligência artificial otimiza sistemas, mas consome energia em escala crescente. As biotecnologias prometem reduzir impactos agrícolas, mas podem concentrar ainda mais o poder sobre as sementes e os recursos genéticos.

    Isso não significa que devamos abandonar a inovação ou o crescimento, mas talvez reposicioná-los: em vez de fins em si mesmos, transformá-los em instrumentos de uma prosperidade dentro dos limites do planeta. E, para isso, é preciso revisar o que entendemos por sucesso econômico — e o que esperamos da própria inovação.

    Não penso que precisemos desacelerar o motor da inovação, mas que é preciso trocar o combustível, substituir a lógica da extração pela da regeneração, o incentivo da escassez pelo da cooperação, e a promessa de crescimento ilimitado por uma prosperidade compartilhada e sustentável.


(Antônio Márcio Buainain, “Vamos conversar sobre o Nobel de Economia e os limites do planeta?”, Jornal da Unicamp. Adaptado)

Em “Não penso que precisemos desacelerar o motor da inovação, mas que é preciso trocar o combustível...” (6º parágrafo), o autor utiliza uma metáfora para expressar a ideia de que

  • é necessário interromper o avanço tecnológico para conter danos ambientais.
  • o verdadeiro obstáculo ao progresso é a limitação dos recursos minerais.
  • o equilíbrio ecológico produz também avanços sociais e tecnológicos.
  • as novas tecnologias nos ajudam a resolver os problemas ambientais.
  • a inovação deve ser mantida, mas orientada por novos valores sustentáveis.
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