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#3400892

    Leia o trecho da reportagem da revista Le Monde Diplomatique Brasil, intitulada “Exposições desafiam o espaço do museu com narrativas indígenas”, de Carolina Azevedo (2023):

    “Em 21 de maio de 2000, visitando a Exposição da ‘Mostra do Descobrimento’ no Parque do Ibirapuera, em São Paulo, Dona Nivalda Amaral, anciã do povo Tupinambá de Olivença, teve sua atenção fisgada por um objeto. Era um manto, sobre o qual ela tinha ouvido parentes mais velhos falarem muitas vezes. Quando viu o objeto atrás do vidro, disse que seu coração disparou e alguém lhe sussurrou: ‘este é o nosso manto’.

    O manto Tupinambá vermelho que estava exposto pertencia ao acervo do Museu Nationalmuseet de Copenhague, e retornou para lá depois da exposição. Mais de vinte anos depois, em junho de 2023, a Dinamarca anunciou que iria entregar ao Brasil o objeto, que está em Copenhagen desde 1689. Renata Tupinambá, curadora de arte, explica que, tendo em vista o retorno, ‘é muito importante que as pessoas entendam que objetos não são apenas objetos dentro da cultura Tupinambá, eles ganham uma dimensão viva. Enquanto os museus tratam esses mantos antigos como um objeto, para nós, é o nosso ancestral vivo.’

    Com notícias como essa, a questão do repatriamento de artefatos indígenas e a reformulação do museu colonial vêm ganhando força”. (Azevedo, 2023)

Carolina Azevedo. Exposições desafiam o espaço do

museu com narrativas indígenas. Le Monde Diplomatique

Brasil. 20 out. 2023. Disponível em: https://diplomatique.

org.br/exposicoes-desafiam-o-espaco-do-museu-com

narrativas-indigenas/. Acesso em: 16 ago. 2024.


O referido manto Tupinambá foi recebido no Museu Nacional do Rio de Janeiro em julho de 2024 e está sendo preparado para futura exposição (Agência Brasil, 2024). O ensino da arte na contemporaneidade tem valorizado a experiência dos estudantes com objetos culturais e obras artísticas das mais diversas linguagens, como destacado na reportagem sobre a história das culturas indígenas no Brasil. Para a aprendizagem da arte na educação formal, pode-se dizer que as relações entre arte, cultura e experiência estética são:

  • fundamentais, pois exposições, como a citada na reportagem, estimulam a formação discente do Ensino Médio e a especialização voltada para o mercado de trabalho cultural, favorecendo futura atuação profissional em museus e instituições do gênero.
  • optativas, pois o foco do ensino da arte nas escolas é o desenvolvimento de técnicas artísticas nas diferentes linguagens, de acordo com os procedimentos seguidos pelos artistas ao longo da história da arte.
  • imprescindíveis, pois possibilitam a reflexão crítica sobre as identidades multiculturais, tanto dos indivíduos quanto da sociedade brasileira, ampliando e aprofundando o conhecimento sobre as diversas versões da história.
  • relativas, pois cercearia direito e a autonomia docente, considerando que o ensino da arte e da cultura indígena é apenas recomendada, conforme a Lei Federal nº 11.645, de 10 de março de 2008.
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