“Cantar, dançar e viver a experiência mágica de suspender o
céu é comum em muitas tradições. Suspender o céu é ampliar o
nosso horizonte; não o horizonte prospectivo, mas um
existencial. É enriquecer as nossas subjetividades, que é a
matéria que este tempo que nós vivemos quer consumir. Se
existe uma ânsia por consumir a natureza, existe também uma
por consumir subjetividades – as nossas subjetividades. Então
vamos vivê-las com a liberdade que formos capazes de inventar,
não botar ela no mercado. Já que a natureza está sendo assaltada
de uma maneira tão indefensável, vamos, pelo menos, ser
capazes de manter nossas subjetividades, nossas visões, nossas
poéticas sobre a existência”.
KRENAK, Ailton. Ideias para adiar o fim do mundo. São Paulo: Companhia
das Letras, 2019.
No excerto, Ailton Krenak articula uma crítica que pode ser
compreendida, do ponto de vista filosófico, como parte do
esforço de descolonização epistêmica, pois
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