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#3108733
Texto da Questão:

“Em casa, minha mãe me batia. Batia muito. Quando estava bêbada e quando estava sóbria. O álcool fazia ela ter problema de nervos. Eu me lembro que quando estava sã ela ficava tremendo. Era muito louco. Ela esperava eu dormir e batia em nós com um pedaço de pau, tacava objetos. Às vezes ela me cutucava com bituca de cigarro, e, como lá não tinha fogão a gás e a gente cozinha no fogão a lenha, tinha bastante pau em casa. Então minha mãe esperava a gente dormir e dava paulada. […] Minha mãe morreu e eu me senti aliviada. Eu justificava todo o meu fracasso na pessoa dela, tudo estava depositado nela. Eu pensava “Faço isso porque minha mãe bebe, porque ela me botou na rua”. Minha mãe falava coisas do tipo: “A mãe sempre nos amou. Ela bebia porque era fraca”. Meu irmão também dizia: “A mãe era fraca, bebia por causa da nossa avó e também, olha eu não conheço o meu pai, você conhece o seu pai, a mãe sozinha teve que criar eu, você e a Giselda. Ela não teve ninguém para dar apoio. Ela se rendeu ao álcool, mas você não pode pensar assim da mãe. A mãe sempre nos amou, cara, eu amo a mãe. E eu respondia: “Amou a gente o quê? Não sei porque você gosta da mãe.”  

O fragmento do texto acima possibilita algumas análises. Assinale a alternativa que interpreta criticamente, a partir dos pressupostos teóricos e metodológicos do Serviço Social, a realidade vivenciada a partir do relato.  

  • O texto apresenta uma família desestruturada com a ausência de amor entre mãe e filhos. A mãe, no seu processo de dependência ao álcool, não conseguia cuidar devidamente dos seus filhos e enquanto uma filha a culpa por todos os problemas em sua vida, os outros dois reconhecem que o problema era a dependência ao álcool.
  • O texto apresenta a ausência de abordagem dos serviços de saúde para os encaminhamentos da dependência ao álcool para a mãe e para os filhos e ainda desconstrói o ideário romantizado de que a família é um lugar de carinho e proteção pois, nas mais variadas formas de ser e viver em famílias, há contradições, que pode ser um espaço de afetos, mas também de desproteções.
  • O texto apresenta a revolta de uma das filhas pela não criação de vínculo afetivo com sua mãe, assim colocando a culpa de tudo da sua vida em um pequeno momento de dependência ao álcool da mãe.
  • O texto apresenta a possibilidade que dois dos três filhos têm de exercer o ato do perdão para com sua mãe, diante da doença que a mesma tinha de dependência ao álcool.
  • Apresenta uma família sem cuidados e afetos, pois a ausência de um pai/esposo pode gerar vários conflitos, e ainda apresenta a responsabilização da proteção social somente ao Estado, em que a família não assume seus atos protetivos.
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