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#2366194
Texto da Questão:

Leia o texto abaixo, que sofreu pequenas adaptações e alterações, extraído da obra Estação Carandiru, de Drauzio Varella, para responder à questão.

      São tantas as situações que se apresentam na cadeia que uma vida é pouco para conhecê-las. Essa lição de humildade dada pelos cadeeiros mais experientes ajudou-me a relaxar e a desenvolver técnicas defensivas para não ser feito de idiota o tempo todo.

      A advertência clara do Pedrinho, de que eu não podia contar com meus auxiliares para desmascarar os farsantes, tornou-me mais atento às expressões faciais. Enquanto o doente fala; há que olhá-lo direto nos olhos, mudo, o olhar fixo por uns segundos a. mais após o término de cada frase. Nos momentos de dúvida, deixar cair o silêncio, abaixar a cabeça sobre a ficha médica como se fosse escrever e dar um bote com os olhos na direção dos enfermeiros e quem mais esteja por perto, para surpreender neles as expressões de descrédito. 

      Com a experiência que a repetição traz, ganhei segurança como médico e espontaneidade no trato com a malandragem. Devagar, aprendi que a cadeia infantiliza o homem e que tratar de presos requer sabedoria pediátrica. Muitas vezes é suficiente deixá-los se queixar ou simplesmente concordar com a intensidade do sofrimento que referem sentir, para aliviá-los. O ar de revolta que muitos traziam para a consulta desaparecia depois que lhes palpava o corpo e auscultava pulmões e coração. No final, não era raro encontrar ternura no olhar deles. A paciência de escutar e o contato do exame físico desarmavam o ladrão.

      A comida servida na Casa de Detenção ê triste. Depois de alguns dias, não há cristão que consiga digeri-la; a queixa é geral. Os que não têm ganha-pão na própria cadeia ou família para ajudar sofrem. Riquíssima em amido e gordura, a dieta, entretanto, engorda. Obesidade aliada à falta de exercício físico é um dos problemas de saúde na Detenção.

      As galerias são lavadas todo final de tarde pelos "faxinas", um grupo de homens que constitui a espinha dorsal da cadeia. Tudo é limpo, ninguém ousa jogar lixo nas áreas internas. É raro ver um xadrez sujo, e, quando acontece, seus ocupantes são chamados de maloqueiros, com desdém. Na Copa de 94, assisti Brasil versus Estados Unidos num xadrez com 25 presos, no pavilhão Dois. Não havia um cisco de pó nos móveis, o chão dava gosto de olhar. Em sistema de rodízio, cada ocupante era responsável pela faxina diária. 

Levando em consideração as afirmações do texto e as orientações da gramática normativa tradicional, é correto afirmar que

  • nos trechos: "abaixar a cabeça sobre a ficha médicacomose fosse escrever", do segundo parágrafo, e "ganhei segurançacomomédico e espontaneidade no trato", do terceiro, as duas ocorrências da palavra destacada têm o mesmo valor semântico.
  • o trecho "a cadeia infantiliza o homem e que tratar de presos requer sabedoria pediátrica.", do terceiro parágrafo, pode ser reescrito da seguinte maneira, sem que ocorra erro gramatical ou prejuízo semântico: "a cadeia infantiliza o homem e que, ao se tratar de presos, requer sabedoria pediátrica.".
  • nos trechos: "Muitas vezes é suficiente deixá-losse queixar" e "concordar com a intensidade do sofrimento que referem sentir, para aliviá-los", do terceiro parágrafo, nas duas ocorrências, o pronome destacado exerce a mesma função sintática e se refere ao mesmo antecedente.
  • no trecho: "O ar de revoltaquemuitos traziam para a consulta desaparecia depoisquelhes palpava o corpo", do terceiro parágrafo, nas duas ocorrências destacadas, a palavra "que" tem o mesmo valor semântico e exerce a mesma função sintática.
  • no trecho: "depois quelhespalpava o corpo e auscultava pulmões e coração. No final, não era raro encontrar ternura no olhardeles.", do terceiro parágrafo, o pronome e a expressão destacados têm o mesmo valor semântico.
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